diagnóstico

Tratamento

Conceitos gerais de tratamento

Uma vez entendida a extensão da doença, pode-se planejar o melhor tratamento. No caso do melanoma localizado, o tratamento é essencialmente cirúrgico e resulta em elevada chance de cura. Medidas adicionais, como ampliação das margens ou emprego de uma técnica conhecida como “Pesquisa do Linfonodo Sentinela” dependerão das características do tumor primário (Por exemplo: profundidade de invasão, presença ou ausência de ulceração etc.) e dos resultados dos demais exames/avaliações. Em casos específicos, sobretudo naqueles em que há doença regional (envolvimento de linfonodos ou implantes ao redor do tumor primário), pode-se considerar o uso de tratamentos destinados a aumentar a chance de cura, como radioterapia ou imunoterapia – isso, porém, não de aplica a todas as situações. Para pacientes com melanoma avançado (aqueles nos quais cirurgia não é possível ou quando há metástases à distância), viu-se na última década uma grande revolução no tratamento. Elevada eficácia foi demonstrada tanto com o uso da imunoterapia na forma de agentes anti-CTLA4 (Exemplo: Ipilimumabe) ou anti-PD1 (Exemplo: Nivolumabe ou Pembrolizumabe), quanto com o uso da terapia-alvo (Vemurafenibe/Cobimetinibe ou Dabrafenibe/Trametinibe). Convém ressaltar que o uso da terapia-alvo se aplica apenas a pacientes com o “alvo” definido (Exemplo: mutação do gene BRAF), e isso é avaliado através da análise do DNA do tumor. A quimioterapia convencional, ainda que cada vez menos utilizada, pode ser considerada. A seleção do melhor tratamento passa por uma avaliação cuidadosa, que deve levar em consideração, entre outros fatores, a apresentação da doença, aspectos gerais do paciente (outras doenças, uso de medicamentos, estado geral etc.) e características de cada medicamento, incluindo risco de eventos adversos e disponibilidade.

Opções de tratamento do Melanoma

Sabemos que o melanoma pode ser tratado de diferentes maneiras, sendo utilizados cinco tipos de tratamento padrão: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapia alvo.Os pacientes podem fazer um ou mais tipos de tratamento, dependendo do estágio em que o tumor se encontra.

Cirurgia: é o tratamento utilizado em todos os tipos de melanoma e em todos os seus estágios. Depois da retirada completa da lesão inicial (biopsia excisional) deve ser realizado uma nova cirurgia com margens amplas (ampliação de margens), para diminuir a chance do tumor voltar naquele local. Dependendo principalmente da profundidade do melanoma, faz-se a pesquisa do linfonodo sentinela, que é o primeiro gânglio a ser atingido no caso de metástase. Caso haja linfonodo positivo, o esvaziamento dos gânglios daquela região é necessário (linfadenectomia). Esse exame é feito injetando-se um corante azul próximo ao tumor e este é drenado para os gânglios. O primeiro gânglio atingido é removido e analisado. Se houver células tumorais nesse gânglio, o exame é considerado positivo, realizando-se então a retirada de toda aquela cadeia de gânglios. Mesmo havendo a remoção de todos os melanomas, alguns pacientes podem precisar de quimioterapia, que, quando administrada após a cirurgia, para diminuir as chances de o melanoma retornar. Chamamos de terapia adjuvante. Pode haver a necessidade também da realização de cirurgia em outros órgãos, caso o melanoma tenha se espalhado.

Quimioterapia: é um tratamento de câncer que utiliza medicamentos para parar o crescimento dos tumores, matando as células cancerosas e impedindo que elas se multipliquem. Pode ser tomada por via oral, injetada em uma veia ou músculo. O medicamento entra na corrente sanguínea e acaba atingindo todas as células cancerígenas que estejam espalhadas pelo corpo, sendo esta a quimioterapia sistêmica. Quando a quimioterapia é injetada diretamente no local em que há células tumorais, é chamada de quimioterapia regional por perfusão ou por infusão. A forma como a quimioterapia é administrada vai depender do tipo e estágio do câncer.

Os efeitos colaterais da quimioterapia dependem do tipo e dose dos medicamentos administrados e da duração de tempo que eles são administrados. Esses efeitos colaterais podem incluir:

  • Queda de cabelo
  • Feridas na boca
  • Perda de apetite
  • Náusea e vômito
  • Diarreia
  • Risco aumentado de infecção (com poucos leucócitos)
  • Facilidade de apresentar hematoma ou sangramento (com poucas plaquetas)
  • Fadiga (com poucos eritrócitos)

    Esses efeitos colaterais são geralmente de curto prazo e desaparecem assim que o tratamento é encerrado.

Radioterapia: é um tratamento contra o câncer que utiliza raios-X de alta energia ou outros tipos de radiação para combater as células cancerosas e sua multiplicação. Existem dois tipos de radioterapia: a externa, que utiliza uma máquina fora do corpo para enviar radiação para o câncer, e a radioterapia intralesional, na qual se utiliza uma substância radioativa como se fosse em uma cápsula e esta é colocada dentro ou próximo ao tumor. A forma como a radioterapia é realizada depende também do tipo e estágio em que o câncer se encontra. A radioterapia externa é utilizada para tratar o melanoma, bem como para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Imunoterapia: uma característica importante do sistema imunológico é sua capacidade de não atacar as células normais do corpo. Para fazer isso, ele utiliza pontos de verificação, que são proteínas em células do sistema imunológico que precisam ser ativadas (ou desligadas) para iniciar uma resposta imune. Às vezes, as células tumorais utilizam esses pontos de controle para evitar serem atacadas pelo sistema imunológico, ou seja, as células do tumor apresentam grandes quantidades dessa proteína e por isso não serão atacadas nem mortas. A imunoterapia utiliza medicamentos que visam as proteínas que atuam sobre esses pontos de controle, ajudando a restaurar a resposta do sistema imunológico contra as células tumorais. É utilizada em pacientes com melanomas avançados ou que não podem ser removidos cirurgicamente. Alguns tipos de imunoterapia utilizados no tratamento do melanoma são:

Inibidores de PD-1: O pembrolizumab e o nivolumab são medicamentos que têm como alvo a PD-1, uma proteína das células do sistema imunológico (célula T), que, normalmente, impedem estas células de atacar outras células do organismo. Ao bloquear a PD-1, esses medicamentos aumentam a resposta imunológica do organismo contra as células de melanoma. Isso muitas vezes reduz o tamanho dos tumores e aumenta a sobrevida dos pacientes, embora ainda não esteja claro se estes medicamentos podem curar o melanoma.

Inibidor CTLA-4: O ipilimumab é um anticorpo monoclonal produzido a partir de uma proteína do sistema imunológico. O alvo é a proteína CTLA-4, que normalmente ajuda a manter as células T controladas. Ao bloquear a ação do CTLA-4, o ipilimumab aumenta a resposta imune do corpo contra células de melanoma.

Citocinas (Interferon-alfa e Interleucina-2): Citocinas são proteínas do organismo que melhoram o sistema imunológico de forma geral. As versões artificiais de citocinas, como interferon-alfa e interleucina-2 (IL-2), são algumas vezes usadas em pacientes com melanoma, principalmente nos melanomas avançados. Tanto o interferon-alfa como a IL-2 podem reduzir os melanomas avançados em cerca de 10 a 20% dos pacientes quando utilizados isoladamente. Podem ser associados a outros medicamentos. Pacientes com melanomas mais extensos geralmente têm metástases e, mesmo que todo o tumor tenha sido removido cirurgicamente, podem existir células remanescentes. O interferon-alfa pode ser utilizado como terapia adjuvante após a cirurgia para tentar impedir a crescimento e disseminação destas células. Isto pode retardar o reaparecimento de melanoma, mas ainda não é totalmente claro o quanto aumenta a sobrevida.

Terapia-alvo

É um tipo de tratamento que usa drogas ou substâncias para atacar as células cancerosas, causando menos danos às células normais do que a quimioterapia ou a radioterapia.  Novas terapias direcionadas e combinações dessas terapias estão sendo estudadas para o tratamento do melanoma. Algumas utilizadas atualmente são:

Terapia de transdução de sinal (inibidores de BRAF e de MEK): Os inibidores de transdução de sinal bloqueiam os sinais que são passados de uma molécula para outra dentro de uma célula. Ao se bloquear esses sinais há a morte das células cancerosas. Vemurafenib, dabrafenib, trametinib e cobimetinib são inibidores da transdução de sinal, empregados para tratamento de melanomas avançados ou que não podem ser removidos com cirurgia. O vemurafenib e o dabrafenib bloqueiam a atividade de proteínas produzidas pelo gene BRAF mutante, por este motivo essas medicações só apresentam benefícios nos pacientes com mutação de BRAF positiva nas células de melanoma. O trametinib e cobimetinib afetam o crescimento e a sobrevida das células tumorais pois atuam como inibidores de uma proteína chamada MEK.

Terapia do vírus oncolítico: Os vírus são um tipo de germe que pode infectar e destruir células. Existem vírus que foram alterados em laboratório para que infectem e destruam as células cancerosas. Estes são conhecidos como vírus oncolíticos. Simultaneamente, eles alertam o sistema imunológico para atacar as células cancerosas. Talimogene laherparepvec, também conhecido como T-VEC, é um vírus oncolítico que pode ser usado para tratar melanomas ou linfonodos que não podem ser removidos cirurgicamente.

Inibidores da angiogênese: Esse medicamento bloqueia o crescimento de novos vasos sanguíneos. No tratamento do câncer eles podem ser utilizados para impedir o crescimento do tumor, pois isso depende da formação de novos vasos.

Imiquimod: O imiquimod é um medicamento que, quando aplicado, estimula a resposta imunológica local contra células do câncer de pele. Para melanomas estágio 0, localizados em áreas extensas e sensíveis do rosto, pode ser utilizado o creme imiquimod. Também pode ser utilizado em alguns tumores que se disseminaram na pele. Mas ainda há controvérsia sobre a utilização desse medicamento para o tratamento do melanoma.

Efeitos colaterais do tratamento
Tal como acontece com qualquer tratamento contra o câncer, você pode experimentar efeitos colaterais durante seu tratamento. Com isso em mente, é importante lembrar que todos reagem de forma diferente ao tratamento e experimenta efeitos colaterais de maneiras diferentes. É importante que todos os efeitos colaterais sejam relatados ao seu médico.
Os efeitos colaterais mais frequentes para o tratamento do melanoma são:

  • Diarréia
  • Vitiligo (perda de pigmento)
  • Erupção cutânea
  • Linfedema
  • Colite
  • Fadiga
  • Náusea
  • Coceira
  • Febre
  • Prisão de ventre
  • Dor nas articulações

O diagnóstico de melanoma afeta a todos de forma diferente. Os impactos em sua família, amigos e na vida profissional podem gerar muito estresse.

Você provavelmente enfrentará desafios físicos e emocionais durante seu tratamento e até mesmo ao término dele. Este é um sentimento é totalmente compreensível e muito comum para a maioria dos pacientes que tiveram melanoma.
Existem vários mecanismos e estratégias que podem ajudá-lo a aumentar sua qualidade de vida tanto durante quanto após o tratamento.

Gerenciamento de estresse
O estresse de um diagnóstico de melanoma pode ser sentido fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Às vezes, esse estresse pode parecer incontrolável. É importante que todos os sinais de estresse, depressão e ansiedade sejam discutidos com seu médico.

Sinais de Depressão e Ansiedade:

  • Sentimento triste ou "vazio" na maior parte do dia
  • Perda de interesse ou prazer em atividades normais
  • Problemas para dormir
  • Aumento ou diminuição do apetite
  • Aumento repentino ou diminuição do peso corporal
  • Dificuldade de concentração
  • Fadiga crônica ou inquietação

Técnicas de gerenciamento de estresse
As técnicas de gerenciamento de estresse são um componente muito importante para viver com melanoma e podem ajudá-lo a se sentir capacitado e melhorar sua qualidade de vida. Existem muitas técnicas de gerenciamento de estresse que você pode tentar. Lembre-se - nem todas as técnicas funcionam da mesma forma para todos, mas aqui estão algumas ideias para você começar.

Participe do nosso grupo de apoio ao paciente
Participe de um grupo de apoio ao câncer
Fale com um terapeuta ou conselheiro
Pratique exercícios físicos sempre com a orientação de seu médico
Escute musicas que lhe tragam alegria e paz
Tente gerenciar apenas um problema por vez
Mantenha um diário e escreva sobre seus desejos e anseios
Aceite a ajuda de amigos e familiares
Leia um livro

Os cuidadores também podem sofrer altos níveis de estresse. Use o nosso Guia de suporte ao cuidador para aprender maneiras de cuidar de si mesmo enquanto cuida do seu ente querido.

Recidiva de melanoma
Em algumas circunstâncias, infelizmente, o melanoma pode se repetir. Após um diagnóstico de melanoma, a pessoa possui um risco maior de desenvolver um novo melanoma, bem como uma recorrência do melanoma anterior.

O melanoma é considerado o tipo mais grave de câncer de pele porque pode se repetir localmente ou em um local distante ( melanoma metastático ).
O melanoma que se repete localmente pode aparecer na cicatriz da cirurgia inicial ou como pequenos nódulos sob a pele. Por isso é muito importante manter seus exames mensais com o dermatologista além de realizar periodicamente o autoexame da pele, dando uma atenção especial na região onde a cirurgia foi realizada.

Acompanhamento
Se tiver concluído o tratamento, os seus médicos ainda vão querer acompanhá-lo de perto. É muito importante que comparecer a todas as consultas de acompanhamento. O acompanhamento é necessário para verificar a recidiva do câncer ou sua disseminação, bem como possíveis efeitos colaterais de determinados tratamentos. Esta é uma boa hora para você perguntar a sua equipe de cuidado à saúde qualquer dúvida que você tenha e discutir qualquer preocupação que possa ter.
O seu acompanhamento deve incluir exames regulares da pele por você mesmo e pelo seu médico. A frequência das visitas de acompanhamento ao seu médico depende do estágio do seu melanoma quando você foi diagnosticado e outros fatores.

 

 

*Conteúdos retirados e adaptados da fundação norte-americana AIM AT Melanoma e do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM).

blog: notícias e artigos

  • Por que não devemos remover verrugas fora do consultório médico?
    A remoção de pintas e verrugas parece simples, mas não é. Embora na maioria das vezes não causem dor, as duas exigem atenção, pois podem ser importantes sinais do organismo. Antes de serem removidas, precisam ser examinadas por um médico. A avaliação médica é fundamental para estabelecer o diagnóstico correto. As verrugas e pintas são … Continue lendo "Por que não devemos remover verrugas fora do consultório médico?"...
  • Quais os efeitos da poluição na pele?
    Existem vários agentes agressores que afetam nossa pele. Um deles é a poluição do ar, causada principalmente pela emissão de gases poluidores, restos de queima industrial e uso de aerossóis. A poluição atmosférica facilita a ação dos radicais livres, danifica as células e leva à degradação do colágeno, substância que confere sustentação à pele. Consequentemente, … Continue lendo "Quais os efeitos da poluição na pele?"...
  • Mortalidade do melanoma aumenta entre homens, mas não entre mulheres
    Alô, rapazes! Em tempos de Novembro Azul, vale a pena prestar atenção também nos cuidados com a pele. Por quê? A taxa de mortalidade do melanoma maligno entre os homens aumentou no mundo inteiro, enquanto entre as mulheres se manteve estável ou até diminuiu, segundo análise global divulgada nesta semana durante a Conferência do Câncer … Continue lendo "Mortalidade do melanoma aumenta entre homens, mas não entre mulheres"...

Posts por tema

Mídias Sociais